APRENDER COM OS ERROS

08/03/2014 11:48

Nossa mente é um museu de verdades contraditórias, dizia Emerson, o grande pensador e filósofo norte-americano, razão pela qual estamos, a todo o tempo, nos comparando, geralmente, com aqueles que estão melhores do que nós, pelo menos na aparência. Numa perspectiva pouco otimista, a mente humana trabalha a maior parte do tempo com base em prejulgamentos ou preconcepções estabelecidas por modelos mentais que acrescentam pouco ao desenvolvimento humano.

De fato, muitas pessoas dão importância mais para seus fracassos do que para seus sucessos. É fato também que o nosso cérebro grava com mais facilidade os acontecimentos acompanhados de fortes emoções, construídas e armazenadas com base em acontecimentos predominantemente negativos: algum tipo de humilhação sofrida, castigos exagerados, a perda de um ente querido, um negócio malsucedido, amores não correspondidos e assim por diante. Portanto, existe muito mais intensidade emocional em relação aos erros, enganos e fracassos do que em relação às conquistas. 

O grande problema nesse caso é que nossas expectativas são muito altas com relação ao sucesso, entretanto, quando olhamos para trás e tomamos conta do quanto evoluímos, pessoal e profissionalmente, ficamos surpresos. Outro problema inerente a todos os seres humanos é que quando suprimos determinada necessidade nasce outra imediatamente e a vida continua a nos desafiar. 

Você já parou para fazer um balanço da sua vida? Prós e contras, coisas boas e coisas ruins, positivas e negativas? O que ficou para trás é a sua história, a sua experiência, as suas conquistas, o seu legado. O aprendizado foi enorme e a evolução também. O reconhecimento dos sucessos do passado é fundamental para estimular a auto-estima e aumentar o nível de confiança com relação ao futuro. 

Quando olho para trás e penso em todas as minhas realizações, tudo fica mais claro e animador: trabalhei em 8 empresas; fiz curso técnico, faculdade, pós-graduação, especialização e mestrado; publiquei 4 livros, mais 2 em co-autoria e ainda tive um deles traduzido para o espanhol; casei com uma esposa fantástica; consegui fabricar 2 filhos; sou professor em 4 faculdades e universidades; já visitei Graceland (Casa de Elvis Presley), Buenos Aires, Macchu Pichhu e Chicago; já me emocionei na montanha russa do Hopi Hari, no tobogã do Wet’n in Wild, nas Cataratas do Iguaçu, no Farol da Barra, na Praia de Boa Viagem, ao lado do Beto Carrero; comprei minha casa própria; formei o filho mais velho e ainda tive um livro publicado no México. Entretanto, tenho apenas 46 anos e um bom caminho pela frente. E lembrar que eu fui para a escola, aos 5 anos de idade, de calção, camiseta e chinelo, sem caderno, sem lápis, sem borracha.

Um dos meus exercícios favoritos é relacionar as minhas conquistas passadas e utilizá-las como alavancas para as conquistas futuras. A felicidade é um somatório de pequenas realizações, dia após dia, ano após ano. Antes de ir para a cama, procuro sempre fixar a imagem diante do espelho e, apesar de não gostar de saber que os meus cabelos estão indo embora, gosto do que vejo. Olho diretamente nos olhos e sinto que o dia não foi em vão. Depois de tantos anos me olhando no espelho e buscando no fundo de minha alma todas as coisas que já vivi, sinto que minhas ideias negativas a respeito do mundo vão desaparecendo. Agir de maneira positiva em relação a mim mesmo provoca reações físicas e emocionais que nunca me deixam perder a identidade.

Enfim, como eu gosto sempre de dizer, não sofra por antecipação nem se compare com os que possuem menos do que você tampouco carregue mágoas ou rancores por conta de um passado que não se pode mais reverter. Reconheça as pequenas conquistas passadas e a sua vida vai mudar significativamente em curto espaço de tempo. 

Olhe para o passado como se fosse um bom dia de trabalho e torne-se satisfeito com ele. Evite comparações erradas e desnecessárias. Se tiver que fazê-lo, faça-o com pessoas que não estão tão bem quanto você, mas não se pronuncie, apenas reflita. Olhe ao redor, lembre-se dos vizinhos, dos amigos de infância e dos amigos de faculdade.

Quantos gostariam de estar no seu lugar? Certamente alguns estão melhores do que você, outros nem tanto. 

A vida não é exatamente aquilo que você imaginou, mas é muito melhor do que a vida levada pelos nossos ancestrais. Para tomar consciência de quanto você evoluiu e para continuar realizando grandes coisas, procure lembrar-se de todos os obstáculos que você ultrapassou, coisas simples como o primeiro passo, andar de bicicleta, escrever a primeira palavra ou ainda fazer a primeira conta de cabeça.

Hoje parece fácil, mas, na época, você deu um duro danado. Note quantas vezes você fracassou. Como diria Winston Churchill, ex-primeiro-ministro britânico, “sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo”. Pense nisso e seja feliz.

Jerônimo Mendes é Administrador, Coach Empreendedor, Escritor e Palestrante. Autor de Manual do Empreendedor (Atlas), Empreendedorismo para Jovens (Atlas), Benditas Muletas (Vozes)...

 

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