DA PODA À QUALIDADE

15/08/2014 19:21

                                                               Professor Romério Gaspar Schrammel*

O bom não pode começar sem que o mal termine. Alguns finais não são um próximo passo natural, mas uma necessidade. De repente tive uma sensação de falência múltipla. Falência das nossas instituições por falta de uma análise para a qualidade. Nossas instituições não conseguem praticar uma gestão dinâmica: a poda. A poda é um processo de finais proativos.

Inúmeras instituições que vão desde partidos políticos, instituições de ensino, CBF, clubes esportivos, empresas estão fragilizados por galhos que já não produzem, no entanto custam caro, são despesa fixa, mas ninguém ousa sugerir uma poda, pois a história concedeu-lhes o eixo do sistema. Galhos que acumulam prejuízos, atravancam o novo, não cedem espaço enquanto a queda, natural, não acontece. As instituições, assim como as pessoas, necessitam, constantemente, de podas, mas são muitas vezes evitadas, pois implica medo, sofrimento e conflito.

De acordo com estudos, organizações cometem seus equívocos quando o modo de pensar dos administradores não leva em consideração a percepção da realidade. O que mais leva a enganos dos executivos são atitudes ilusórias que reforçam a realidade imprecisa. Conforme Jack Welch, enfrentar a realidade é a primeira regra de negócios. Acolher a realidade no momento da poda pode ser o combustível que pode dar coragem a alguém para tomar decisões difíceis. Não é rara a necessidade de dar meia-volta quando percebemos a realidade. Um estudo de Sydney Finkelstein revelou que muitas pessoas têm uma mentalidade ilusória que perpetua a velha e imprecisa realidade.

A esperança é uma das forças mais poderosas do universo. Com esperança, podemos suportar quase qualquer coisa, e muito mais do que se a perdêssemos ou se estivéssemos sem ela. A esperança nos mantém seguindo adiante. Este é o problema. Em uma falsa realidade, a esperança é a pior qualidade que se pode ter. A esperança pode tudo conquistar, a falsa esperança pode também amargar um sete a um. Resultado semelhante ou pior inúmeras empresas brasileiras “festejam” todos os anos.

Aprender a podar e a enxergar finais necessários é um importante aspecto do líder completo. Poda não é corte de despesas ou reduzir o quadro efetivo – poda é uma estratégia, aceitar os ciclos e as estações, aceitar que há galhos que só ocupam espaço. Como diz em Eclesiastes, livro da Bíblia, há um tempo para iniciar as coisas e um tempo para terminá-las. Pessoas sábias sabem quando devem parar.                 

*Professor                                                                                                                                          

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