EDUCAÇÃO: DA GESTÃO À LEITURA.

05/10/2014 09:21

A palavra ESCOLA tem origem no grego scholé (“tempo livre” ou “atividade séria sem a pressão da necessidade”). Na Grécia Antiga, a escola era um luxo proporcionado a filhos de comerciantes ricos, para que pudessem ler, contemplar e deleitar-se no conhecimento de diversas disciplinas. Como observou Aristóteles, a escola é “ausência de necessidade de estar ocupado”.  Não é “estar sem trabalho”, é “ter tempo para pensar”. Um luxo no mundo acelerado de hoje. Precisamos de tempo para pensar sobre o desafio de amanhã, ou seja, desaprender aquilo que funcionava ontem, sob pena de perder o amanhã.

A escola está em descompasso. José Pastore, em entrevista, falando sobre a deficiência da educação brasileira, disse que o fracasso da educação reside no binômio professor e diretor ou gestor. Chamou a atenção, pois é normal falar do professor, mas não do diretor. O professor é o problema mais grave, pois não está preparado para a sociedade do conhecimento porque ele, o gestor da escola, não seguiu as demandas, as tendências dessa sociedade. O gestor precisa estar na sociedade e observar a escola de fora. Quem faz o inverso, sempre tem certeza de que a sua escola é a melhor – mas o mundo gira.

O diretor deve sentir-se instigado a pensar acerca da escola do amanhã. Indagar o que é uma escola, qual sua finalidade para o amanhã, como gostaria de transformá-la, como torná-la o espaço do pensar.

Aprender é sair de si mesmo. Sair de si para enxergar-se de fora. Quando conseguimos fazer esta prática - aprendemos. Quando conseguimos olhar de fora a nossa empresa, o município e ver o que temos de bom e o que podemos melhorar - aprendemos. Sair de si para ver-se melhor. Por quê? Porque muitas pessoas procuram fora, em outrem, o que há dentro delas. Aprender é humanizar. Parafraseando Perrenoud, no contexto do século XXI, não há mais lugar para pessoas com “cabeças bem cheias” de conhecimentos, apenas; precisamos de “cabeças bem feitas”, de gente de atitude, de gente que sabe se educar, que sabe se construir e se reconstruir.

Eric Hanushek, pesquisador, professor da Universidade Stanford, aponta quatro medidas que devem ser colocadas em prática se quisermos alcançar um nível de educação compatível com um país que deseja chegar ao desenvolvimento: acabar com a bagunça curricular; diagnosticar, planejar, medir; pagar mais aos melhores e transformar o diretor em gestor escolar.

A educação já não tem idade, como não tem espaço determinado, ou seja, não começa na escola e não termina com a escola. Para que a nova educação tenha espaço é preciso saber ler. Ler é “Aprendemos palavras para melhorar os olhos”, escreveu Rubem Alves.

                                                                      Prof. Romério Gaspar Schrammel

                                                                              revise@revise-rs.com.br

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