EDUCAÇÃO: da gestão à liderança.

14/03/2015 21:15

Trabalhamos pelo equilíbrio, mas já nos demonstrou a Lei dePareto, também conhecida como o Princípio 80-20, de que isso é ilusão. Segundoeste princípio, 80% das consequências são resultados de 20% das causas. A Leide Pareto diz-nos coisas elementares da rotina do dia a dia como: 80% das vezesvocê usa 20% de suas roupas; 80% dos problemas são causados por 20% dosfuncionários; 80% de todas as decisões podem ser tomadas com 20% da informaçãodisponível... Significa também que 20% de nossas atividades eram dezesseisvezes mais produtivas do que os 80% restantes. Se eu quero reduzir acomplexidade de minha vida e aumentar a produtividade, então preciso focar nomelhor, que está incluído nos 20%. Isso porque me dei conta de que fazia muitacoisa sem necessidade e fazia muita coisa que não era minha função. Apenas 20%da população é responsável por 80% do caos. 

Pouco em 2015 mudará. Nossos olhos podem até ver as coisas diferentes, é preciso educar os olhos ou acostumar-se com o jeito de ser das pessoas. O homem continua a ser o animal mais surpreendente dentre todos os demais - o homem é simplesmente muito pior. 

Não faltam textos, não faltam consultores enumerando habilidades de um bom gestor. Somos brindados todos os dias com exemplos de gestores que fazem a diferença. Somos assim induzidos a alcançar resultados melhores. Mas nada comparado à competência para a liderança de Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus, mais conhecido como Augusto, imperador romano.

Para Augusto a força estava nos fundamentos corretos. Ele era um homem que agia com muita cautela em praticamente tudo que fazia. Uma de suas frases favoritas era festina lente (apressar-se devagar). Certa vez comentara que a conquista era a parte fácil e glamorosa, o difícil era manter a união e conseguir administrar. Os princípios de Augusto valem para qualquer empresa. Se os alicerces são seguros e se os líderes têm visão clara, a empresa tem uma excelente chance de sucesso.

Uma vez decidido quanto ao curso de ação, Augusto o perseguia até estar satisfeito com o resultado. Dois pontos o faziam diferente: disposição para delegar autoridade e seu relacionamento de trabalho com os demais. Augusto guiava com firmeza o leme da democracia romana e defendia três princípios: 1º - o poder político é um crédito a ser exercido no interesse do povo; 2º - o governo deve ser uma responsabilidade compartilhada e 3º - nenhum governante está acima da lei. Assim foi eleito cônsul seis vezes e usou o cargo para executar reformas. Mas em 28 a.C, inesperadamente, renunciou. Esta renúncia foi politicamente calculada por ele para aumentar a sua popularidade e fazer com que parecesse indispensável. Os senadores então suplicaram para que ele continuasse no leme, aumentando ainda mais o seu poder.

Augusto criou infraestrutura para Roma, mas acreditava que subsídios do governo tiravam a iniciativa das pessoas e elas ficavam dependentes demais do Estado. No entanto nunca abandonou os pobres romanos que se tornaram dependentes e gostavam das diversões. O imperador tratava o senado com respeito aparente. Levantava da sua cadeira para cumprimentar senadores e magistrados e lhes concedia todas as cortesias públicas.

Um dos motivos do sucesso de Augusto, como líder, foi ter um senso prático de limites. Ao fazer a sua própria versão de análise de custo-benefício para as fronteiras de Roma, calculou que era hora de parar de expandir. Soube que empurrar as fronteiras do império, só para a sua glória, ao contrário de muitos gestores, seria muito caro e, no final, autodestrutivo. Augusto tinha visão e soube se concentrar para o bem de Roma de forma disciplinada. Ele jamais permitiu que o sucesso deformasse seu discernimento ou controlasse o seu comportamento. Dizia Augusto sat celeriter fieri quidquid fiat satis bene (aquilo que foi feito bem, foi feito rápido o suficiente).

Neste país, as lideranças do público e do privado, de todos os setores, precisam aprender asentar na mesma mesa para "fazer acontecer". Fazer com qualidade, com ética, disciplina e muita responsabilidade. Dar espaço para os que detêm o conhecimento e a prática. Faço minha as palavras de Cecília Meireles: "Dai-me, Senhor; a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço."

Prof. Romério Gaspar Schrammel


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